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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Terceira Posição: História e Ideologia


Terceira Posição - um futuro além da esquerda e direita



TERCEIRA POSIÇÃO: HISTÓRIA E IDEOLOGIA.


Tradução: Gabriel Pimentel.

"Recentemente tem havido algumas discussões no que diz respeito ao que constitui ao terceiro posicionamento politico. Eu decidi tomar ele próprio como tema, e iniciar uma discussão sobre a história da terceira posição, suas variantes, e algumas dessas variantes como princípios ideológicos.

Eu não quero que este tema para se degrade em um debate sobre se ou não conceitos tais como o nacional-anarquismo são compatíveis com o nacionalismo terceirista, esta discussão é principalmente sobre a história e a ideologia dos movimentos de terceira posição, por isso peço a todos centrem esta conversa em torno destes temas exclusivamente.

Definição:


O conceito de terceira posição é algo muito básico. É uma vértice que se dissipa entre o capitalismo e o socialismo, algo como uma "terceira opinião".
Os historiadores e teóricos políticos normalmente usam o termo para descrever várias correntes ideológicas nacionalistas que se originaram no início do século 20 e que continuam a ser promovidas por vários partidos e movimentos políticos de todo o mundo nos dias atuais.

A crítica.

-Crítica contra o Comunismo-

Uma crítica comum da terceira posição -de todos os níveis variáveis - contra o comunismo é que seu cosmopolitismo utópico é inerente à natureza global. Teóricos de terceira posição, sendo nacionalistas, sentem que o internacionalismo entra em fundamental desacordo com o etnocentrismo inato da humanidade, que é um aspecto significativo da natureza humana. Terceiristas também sentem que é indesejável para a humanidade abraçar o internacionalismo, pois acaba por destruir a diversidade cultural e racial.
O paraíso anárquico que Marx previu após o resultado final do comunismo (após a fase de transição socialista) é visto pelos adeptos da terceira posição como sendo basicamente inatingível, por isso também contraria a aspectos da natureza humana, particularmente após a idade industrial.

-Contra o Capitalismo-

O capitalismo é visto pelos adeptos da terceira posição como explorador, injusto, anti-social, e ao contrário as noções de solidariedade nacional e racial. O Teórico nacional-revolucionário Gregor Strasser descreveu a crítica do capitalismo de terceira posição da seguinte maneira:

"Nós somos socialistas. Nós somos inimigos mortais do sistema econômico capitalista de hoje com a sua exploração dos economicamente fracos, seu sistema de salário injusto, sua maneira imoral de julgar o valor dos seres humanos em termos de sua riqueza, seu dinheiro em vez de a sua responsabilidade e seu desempenho, e estamos determinados a destruir este sistema aconteça o que acontecer!"

Variantes:

Uma vez que a terceira posição é um termo vago, um número de diferentes ideologias abrangem a sua classificação;
a única coisa que todos eles concordam, é a sua posição comum contra o capitalismo e o comunismo.

NACIONAL-SOCIALISMO

(Também referente a "Social-nacionalismo", "socialismo nacional", etc...)

Como o termo "terceira posição", o nacional-socialismo é um termo amplo que abrange uma ampla gama de diferentes interpretações e manifestações. Ao contrário da crença popular, NSDAP de Adolf Hitler (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) não foi a primeira ou única vertente do socialismo nacional que existiu.
O termo originou-se quase simultaneamente na França, na Tchecoslováquia e na Áustria no final de 1800, embora conceitos socialistas nacionalistas existiam bem antes do termo em si.

O romancista francês, Dreyfus, e um político socialista, Maurice Barrès, o primeiro a evocar a frase "nacionalismo socialista" em sua campanha eleitoral 1898. Como a maioria de suas campanhas, Barrès correu em uma plataforma de "nacionalismo, protecionismo, e socialismo".

Além de ser um dos primeiros notáveis políticos socialistas nacionais, Barrès também foi um dos primeiros teóricos políticos franceses a desenvolver um conceito de nacionalismo étnico. As teorias de Maurice Barres passou a influenciar, posteriormente, várias manifestações do nacional-socialismo e do fascismo na Europa -em particular o primeiro movimento de massa socialista nacional, 300.000 membro do sindicato Socialista Amarelo de Pierre Biétry.

Em 1898, o Partido Social Nacional Tcheco foi fundado. O partido apoiou uma fusão de nacionalismo e socialismo. O programa de 25 pontos elaborado por Adolf Hitler, Anton Drexler, e Gottfried Feder, e adotado pelo NSDAP, foi muito influenciado pela plataforma do Partido Nacional Socialista Tcheco.

A Liga Nacional dos Trabalhadores Alemães da Austria mudou seu nome para "Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores" em 1918, em torno de um nacionalismo pan-germânico com uma plataforma socialista, que lembra as políticas abraçadas pelo NSDAP de Hitler. Em 1930, o partido estava dividido em duas facções, uma favorecendo uma estrutura democrática, e o outro favorecendo a campanha de Adolf Hitler -o partido em última análise se fundiu com o NSDAP após a anexação da Áustria ao Terceiro Reich.-

-HITLERISMO -

Poucos negariam que o hitlerismo, isto é, a expressão única de socialismo nacional estabelecido por Adolf Hitler é a variedade mais proeminente do nacional-socialismo na história. Antes de explicar as características distintivas do nacional-socialismo hitleriano, vou descrever brevemente as origens do NSDAP e associação de Hitler com o partido.

Anton Drexler, um socialista auto-identificado, fundou o Partido dos Trabalhadores Alemães em 1919 sobre o princípio da criação de um novo partido socialista que também fosse nacionalista por natureza. Depois de alguma hesitação e sobre revisão e aprovação da brochura de Drexler, aderiu ao Partido dos Trabalhadores Alemães em setembro de 1919, tornando-se o 55º membro do partido e o sétimo membro do comitê executivo do partido.

Hitler posteriormente sugeriu a mudança do nome do partido para Partido Social-Revolucionário, mas em fevereiro de 1920, o Partido dos Trabalhadores Alemães mudou seu nome oficialmente para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Em 1921, Adolf Hitler tornou-se, basicamente, o líder indiscutível do partido, e por volta de 1923 Drexler se demitiu do NSDAP.

Hitlerismo distingue-se por um certo número de características:

* O Führerprinzip: Basicamente, a vontade política da nação está incorporado no Führer, abolindo a maioria das formas de democracia.

* Pangermanismo: A noção de que todas as pessoas de ascendência germânica devem ser unificadas através de um Reich alemão.

* Lebensraum: Hitler acreditava que a Alemanha não tinha o espaço vital imprescindível para a população excedente do Reich, e concebeu uma teoria expansionista em que os povos germânicos iria resolver os problemas da Europa Oriental.

* A eugenia: De acordo com as crenças racialistas de Hitler, o Terceiro Reich implementaram leis eugênistas para o reforço do desenvolvimento racial. O NSDAP também aprovou uma legislação proibindo a miscigenação (Leis de Nuremberg).

* Dirigismo: Adolf Hitler preservava a propriedade privada sobre a maioria das empresas, sob a estrita condição de que o Estado regulamentaria essas empresas para se adequarem aos interesses coletivos da nação. Tais regulamentos incluindo controle de preços, controles de salários, segurança no trabalho, controles de investimento, restrições a dividendos, quotas de produção e estado direcionado comércio.

O banco central da Alemanha foi nacionalizado como as empresas que não cumprissem as leis estaduais. A maior empresa estatal operada na Europa também foi estabelecida sob o Terceiro Reich, a Reichswerke Hermann Göring.

* Bem-Estar Social: Além das características socialistas óbvias encontradas dentro dirigismo do Terceiro Reich, o regime de Hitler também implementou várias medidas de bem-estar social. Um programa de cuidados de saúde socializado foi iniciado, ampliando a cobertura a todos os cidadãos alemães; projetos de obras públicas foram criadas para combater o desemprego; segurança social foi ampliada; casas de baixo custo foram construídas para o proletariado alemão contando com 1,458,128 unidades construídas entre 1933-1937; generosos empréstimos, benefícios fiscais e serviços de bem-estar foram dadas a famílias alemãs; férias pago a todos os trabalhadores alemães, bem como eventos culturais gratuitos para assistir, etc.

- STRASSERISMO -

Gregor Strasser se juntou ao NSDAP em 1921, e seu irmão mais novo, Otto, juntou-se em 1925. Ambos os irmãos, juntamente com camaradas do partido, como Joseph Goebbels, conceberam uma corrente ideológica dentro do NSDAP que se diferenciava das políticas mais moderadas favorecidas por Hitler, e as teorias monetaristas promovidas por Gottfried Feder.

O nacional-socialismo dos irmãos Strasser contém as seguintes características:

* Colaboração Europeia: Em contraste com o imperialismo pan-germânico e com o nordicismo endossado por Hitler, o strasserismo defende e promove o pan-europeísmo. Este pan-europeísmo implicaria uma cooperação económica entre todos os parceiros europeus, de modo a evitar os aspectos contraproducentes de competição econômica entre os estados europeus.

Otto Strasser acreditava que todos os europeus eram de ascendência racial semelhante e, portanto, rejeitava fundamentalmente qualquer teoria de superioridade entre nacionalidades ou sub-raças europeias. No entanto, Strasser também acreditava na preservação das culturas originais e etnias.

* O federalismo: Otto Strasser defendeu a descentralização da Alemanha, que transformaria o país em várias regiões culturais distintas que seriam comunidades autônomas de auto-governo, porém todas as regiões praticariam o mesmo modelo econômico socialista nacional.

* Socialização: Os irmãos Strasser (e muitos outros membros do NSDAP) defendiam a coletivização imediata dos meios de produção. Conselhos operários iriam coordenar seus locais de trabalho, com a supervisão do Estado para garantir que essas empresas estavam agindo de acordo com os interesses nacionalistas. A burguesia seria abolida e assimilada ao novo modo de produção socialista. O capital financeiro também viria a ser nacionalizado pelo Estado.

* Reforma Agrária: A facção Strasser do NSDAP defendia a desapropriação do latifúndio na Alemanha, com a terra a ser redistribuída para as famílias camponesas. Todas as terras seriam de propriedade do Estado, mas agricultores familiares possuiriam título hereditário dos terrenos. As fazendas permaneceriam na posse de cada família até que a família já não tenha nenhum descendente disposto a cultivar a terra.

Depois da queda do Terceiro Reich, vários partidos socialistas nacionais surgiram na Alemanha, e em todo o mundo, o Partido Socialista do Reich de Ernst Remer e o partido União Social de Otto Strasser foram os mais notáveis.

O Partido Socialista do Reich, financiado em parte pelo governo soviético para desestabilizar o governo ocidental, logo atraiu um apoio significativo entre a população da Alemanha Ocidental, mas foi proibida sob as leis de "desnazificação" estabelecidas pelo novo governo alemão.

Otto Strasser, que foi finalmente autorizado a regressar à Alemanha em meados de 1950, foi preso devido a declarações anti-semitas que fez em público, enquanto promovendo seu novo partido político. O Partido União Social em última análise, atraiu poucos seguidores.

NACIONAL SINDICALISMO

O sindicalismo revolucionário tornou-se uma corrente muito popular na Europa no início do século XX, especialmente na França, Itália e Espanha. No entanto, até o início da Primeira Guerra Mundial, uma divisão histórica surgiu dentro dos movimentos sindicalistas e socialistas entre indivíduos e organizações que apoiaram a participação na guerra contra aqueles que defendiam a neutralidade.

Na sequência da cisão dentro do movimento sindicalista, a facção pró-guerra começou a se tornar mais franca sobre seus pontos de vista nacionalistas. Enquanto o movimento sindicalista revolucionário não admitia nada além do internacionalismo proletário, estes sindicalistas nacionalistas rejeitavam o internacionalismo marxista e afirmavam a legitimidade do Estado-nação.

Os sindicalistas revolucionários teorizaram um modo de produção socialista onde os trabalhadores seriam os proprietários dos meios de produção e conselhos de trabalhadores, estes também iriam gerir as suas empresas no âmbito de uma sociedade sem estado.
O Movimento Nacional-Sindicalista também se demonstrou favorável a propriedade do trabalhador e a gestão de meios de produção, mas no âmbito de um Estado-nação, com o governo como co-proprietário, e as empresas co-gestionadas pelos conselhos operários.

"Cercle Proudhon" de Georges Valois, fundado em 1911, foi uma das primeiras organizações envolvidas no cultivo de teoria Nacional Sindicalista.

O movimento fascista de Mussolini foi inicialmente associado com o Movimento Nacional Sindicalista, embora ao longo do tempo o partido fascista tenha vindo a adotar a sua própria forma de ideologia; o corporativismo.

Antes da Guerra Civil Espanhola, Ramiro Ledesma Ramo estabeleceu o seu próprio Partido Nacional Sindicalista (a JONS) na Espanha. O JONS obteve progressos significativos entre os círculos socialistas e anarquistas na Espanha, mesmo com o seu programa político sendo revisto pelo comitê central CNT-FAI. Eventualmente, Ramos fundiu seu partido com a Falange de José Antonio Primo de Rivera. No entanto, Ramo se desiludiu com as teorias corporativistas mais leves de José Antonio, e, eventualmente, demitiu-se do FE-JONS.

Ambos, Ramos e José Antonio, foram assassinados por forças republicanas durante a Guerra Civil Espanhola, permitindo a oportunidade ao general reacionário, Francisco Franco, de cooptar o movimento. Posteriormente Francisco Franco acabara por trair os princípios sindicalistas do partido e permitindo a filiação de setores mais tradicionalistas (monarquistas e teocratas) oque alteraria os princípios do partido.

NACIONAL-BOLCHEVISMO 


Nacional-bolchevismo é muitas vezes incompreendido devido ao seu nome provocativo e paradoxal. No entanto, a ideologia representa uma vertente significativa da terceira posição, em que rejeita tanto o capitalismo como o marxismo.

Basicamente, existem duas vertentes do nacional-bolchevismo, ambas surgidas no início do século XX: a do professor russo, Nikolay Ustryalov; e a do ativista político e professor alemão, Ernst Niekisch.

Nikolay Ustryalov, inicialmente um "russo branco" (contra-revolucionário) inimigo do bolchevismo, eventualmente passa a ver a revolução bolchevique como uma continuação do nacionalismo russo, especialmente considerando as reformas nacionalistas decretadas por Joseph Stalin após a morte de Lenin. Neste ponto, Ustryalov começou teorizar as possibilidades deste novo bolchevismo, que cunhou o nome de "nacional-bolchevismo". No entanto, Ustryalov foi assassinado em 1937 no infame "Grande Expurgo" de Stalin de 1937, sobre acusações de "espionagem, atividade contra-revolucionária e agitação anti-soviética".

Ernst Niekisch era originalmente um membro do Partido Social-Democrata alemão, mas como Otto Strasser, foi expulso por "Promoção de ultra-nacionalismo e anti-semitismo". Como todos os de terceira posição, Niekisch rejeitou o cosmopolitismo do socialismo marxista e afirmou a validade e a necessidade do Estado-nação. Seguindo sua expulsão do SPD, Niekisch Old assumiu o controle do Partido Socialista da Saxônia e estabeleceu um jornal político, Widerstand, que promoveu sua dissidência nacionalista do socialismo.

Niekisch sentia que as políticas socialistas promovidas por Hitler eram muito moderadas, e olhou ao stalinismo como um modelo para a sua campanha Nacional-Bolchevique, em oposição ao hitlerismo.

Em 1932, Niekisch publicou um livro crítico do hitlerismo, intitulado "Hitler: Ein Deutsches Verhängnis". O NSDAP estava ciente do lançamento do livro de Niekisch e ordenaram sua prisão assim que chegaram ao poder em 1933. Eventualmente, Niekisch manteve as atividades de sua organização política "por baixo dos panos", mas foi capturado e enviado para um campo de concentração em 1937. Durante seu tempo em cativeiro, Niekisch ficou cego. Niekisch, após o fim da Segunda Guerra Mundial, como resultado de seu tratamento pelo NSDAP terminou sua carreira política como um marxista ortodoxo, rejeitando o nacionalismo que ele defendia com tanta convicção onze anos atrás.

FASCISMO

Como mencionado acima, o Nacional Sindicalismo representou um tipo de proto-fascismo na Europa. No entanto, como Partido Fascista de Mussolini cresceu e atraiu uma sociedade mais diversificada, político filósofos, como Giovanni Gentile, aderiram ao movimento e forjaram uma nova ideologia para o partido a abraçar. Esta ideologia viria a ser conhecida como o corporativismo.

Comumente ao contrário do que é considerado "corporativismo", o corporativismo desenvolvido pelo movimento fascista italiano não significa a fusão de Estado e do poder corporativo privado.

A estrutura do corporativismo é essencialmente uma forma de sindicalismo. A Câmara Corporativa é uma junção vertical, com três corpos principais sendo representados: o trabalho, o Estado, e os empresários/gestão -com figuras periféricas, como especialistas em economia e da indústria também incluídos no processo de negociação-. Assim, enquanto os meios de produção estão tecnicamente ainda em mãos privadas, o modo de produção capitalista é abolido, com este modelo de cooperativa o substituindo. Proprietários de trabalho e de negócios coletivamente determinam os salários, a estrutura de gestão, investimentos, etc. Com o Estado atuando como um árbitro entre as duas facções.

O modelo corporativista nunca veio para representar o modo de produção para a maioria das empresas na Itália fascista; Em vez disso, a Itália praticava uma forma mais branda de dirigismo do que a que foi praticada pelo Terceiro Reich. Foram promulgadas as políticas de assistência social, que incluiu obras públicas para os desempregados, a política de socialização de cuidados de saúde, habitação a preços acessíveis e atividades de lazer, organizado pela Opera Nazionale Dopolavoro. Sem o conhecimento de muitos, tradicionais cooperativas de trabalhadores sindicalistas também foram reconhecidas oficialmente pelo Estado e autorizados a permanecer em existência na Itália fascista, florescendo em toda a história do regime com as empresas sindicalistas em expansão de 7.131 em 1927 para 14.576 em 1937.

Mussolini não liquidou a família real, a burguesia, ou a posição da Igreja Católica na Itália, mas, eventualmente cabe reconhecer o erro de não fazê-lo quando a família real o traiu e se juntou às forças aliadas na Segunda Guerra Mundial.

Após o NSDAP ter resgatado Mussolini resgatado do cativeiro, eles lhe permitiram estabelecer uma nova república em Salo, Itália, conhecida como a "República Social Italiana". Mussolini, um ex-Nacional-sindicalista que era, decidiu abandonar o corporativismo em nome de uma forma tradicional de socialismo nacionalista. Tendo chamado seu amigo de longa data e ex-membro do Partido Socialista italiano, Nicolai Bombacci, para redigir a legislação para a nova república socialista nacional no Congresso de Verona em 1943. Mussolini conseguiu nacionalizar as principais empresas no Norte da Itália e além disso estabeleceu leis para a nacionalização de todas as empresas com mais de 100 funcionários.

Nicolai Bombacci foi assassinado por guerrilheiros comunistas junto com Mussolini em 1945. Suas últimas palavras foram: "Longa vida à Mussolini! Longa vida ao socialismo!".

Político britânico, Oswald Mosley, originalmente houvera adotado o modelo econômico corporativista promovendo-o dentre as fileiras da União Britânica de Fascistas, mas eventualmente passou a reconhecer as falhas da teoria, adotando assim uma forma de "sindicalismo nacional strasserista" no fim de sua carreira política.

DISTRIBUTISMO

Embora muitas vezes seja menos nacionalista, socialista, e racialista que outras variantes da terceira posição, o distributismo no entanto, é fundamentalmente anti-capitalista e anti-comunista e fora adotado por certos círculos nacionalistas terceiristas da história contemporânea. Portanto, a maioria concorda que distributismo tem um lugar dentro da terceira posição.

A teoria baseia-se os ensinamentos católicos do Papa Leão XIII, que foram expostos em cima por GK Chesterton e Hilaire Belloc no início do século 20.

Distributistas advogam pela descentralização do capital via reforma agrária, e um retorno para o modo artesanal de produção. Distributistas se opõem a todas as formas de usura e favorecerem o que é referido como o "just price theory", que rejeita o sistema de capitalismo de oferta e demanda em uma base moral.

Algumas visões sobre o distributismo o descrevem como sendo impraticável na era pós-industrial, argumentando que a menos que uma reestruturação primitivista da sociedade foram realizadas, distributismo não poderia ser esperado para funcionar bem na idade moderna.

NACIONAL-ANARQUISMO

Na década de 1920 , ao expressar seus pontos de vista de uma sociedade socialista alemã nacionalista descentralizada , Helmut Franke utilizou o termo " anarquismo nacional" para descrever sua teoria. O termo não foi expressado novamente até a década de 1980, quando certos anarquistas europeus começaram a teorizar um anarquismo que também fosse nacionalista em caráter. Esses anarquistas olharam para os sentimentos nacionalistas e racialistas manifestados por Mikhail Bakunin e Pierre-Joseph Proudhon para a inspiração no desenvolvimento de sua ideologia .

Troy Southgate , ex-membro da International Third Position, é um dos principais teóricos nacional-anarquistas contemporâneos.

Nacional-anarquistas advogam pela abolição total dos Estados-nações, que seriam substituídos substituído por comunidades tribais voluntárias , com base na identidade cultural e étnica. Economicamente, nacional-anarquistas favorecerem tudo de relacionado ao mutualismo para o agregamento primitivista.

OUTROS USOS

O termo " terceira posição" obviamente, não é exclusivamente utilizado para descrever os vários movimentos nacionalistas anti-capitalistas e anti-comunistas do início do século 20 . O termo também tem sido utilizado em uma variedade de formas que não têm nada a ver com as ideologias políticas acima mencionadas .

-NO MARXISMO-

O filósofo marxista de origem judaíca, Max Adler, usou o termo "terceira posição " para denotar uma teoria sociológica que ele estabeleceu sobre uma terceira posição na teoria de Marx do materialismo dialético, que rejeita tanto a visão marxista ortodoxa estreita que todos os eventos históricos podem ser entendidos e explicados unicamente por considerar o modo de produção de uma sociedade, e a visão de que a história deve ser vista através das lentes das ações individuais de pessoas em uma dada sociedade -Adler também defendeu uma "terceira posição", na qual o "materialismo dialético compromete o universo inteiro", englobando "todos os setores constituintes da realidade que entram na experiência humana: da natureza, da sociedade e do pensamento"

-NO CAPITALISMO-

Capitalistas também invocaram o termo "terceira posição" para descrever várias correntes ideológicas dentro da teoria de mercado.

A "terceira posição" (às vezes chamada de "terceira via") do capitalismo refere-se a um conceito originalmente teorizado por social-democratas europeus. O ex-presidente americano Bill Clinton abraçara essa ideologia através do apoio a certas políticas de bem-estar que em vez de ter o estado fornecendo os serviços, o Estado iria contratar empresas privadas para faze-las. Tony Blair também abraçou algumas dessas políticas centristas, incorporando-as em uma plataforma do "Novo Trabalhismo" .

Certos partidos políticos capitalistas surgiram usando o termo " terceira posição ", bem como, tais como "American Third Position Party" -que é um partido nacionalista favorecendo uma "terceira posição" entre democratas liberais e republicanos conservadores na sociedade americana.

-TERCEIRA POSIÇÃO CONTEMPORÂNEA-

O regime de Juan Perón na Argentina é frequentemente citado como uma expressão da Terceira Posição. Perón estabeleceu um cporporativismo vertical como o modo de produção dominante, iniciou programas de bem-estar social, e criou indústrias nacionalizadas para competir com o setor privado para manter os preços baixos. Isto se seguiu até o ano de 1955 quando o modelo peronista começou a ser abandonado, em favor de reformas neoliberais desastrosas.

A terceira posição em suas várias formas continua a existir em todo o mundo, com sinais de crescimento na França, Hungria, Grécia e Síria. O que se segue é uma pequena lista de grupos nacionalistas terceiristas ativos:

Organizações social-nacionalistas:


*National Resistance Movement (Alemanha).
*Patriotic Socialist Movement (Espanha).
*Golden Dawn (Grécia)
*Russian National Unity (Rússia)
*National Democratic Party of Germany (Alemanha)

Organizações nacionalistas:


*ATAKA (Bulgária)
*Party of the Swedes (Suécia)
*Jobbik (Hungria)
*National Front (França)

Organizações nacional-sindicalistas:


*CasaPound (Italia).
*Authentic Falange (Espanha).

Organizações nacional-bolcheviques:


*National Bolshevik Front (Rússia e Espanha).
*National Communist Party (Suécia).
*European National Communitarian Party (Bélgica).

Organizações nacional-anarquistas:


*Bay Area National Anarchists (Estados Unidos da América)
*National Anarchists of AUS/NZ (Australia e Nova Zelândia).

FONTES:

*Degrelle, Léon. The First Years of the Third Reich.
*Strasser, Otto. Germany Tomorrow.
*Speer, Albert. Inside the Third Reich.
*Gregor, Anthony J. Mussolini's Intellectuals: Fascist Social and Political Thought.
*Payne, Stanley G. Fascism: Comparison and Definition.
*Payne, Stanley G. Falange: A History of Spanish Fascism.
*Stuart, Robert. Marxism and National Identity: Socialism, Nationalism, and National Socialism During the French Fin de Siecle.
*Overy, Richard J. War and Economy in the Third Reich.
*Domarus, Max. The Complete Hitler.
*Irving, David. Goebbels: Mastermind of the Third Reich.
*Stoddard, Lothrop. Into The Darkness.
*Aly, Götz. Hitler's Beneficiaries.
*Temin, Peter. Soviet and Nazi Economic Planning in the 1930s.
*Schoenbaum, David. Hitler's Social Revolution.
*Pedley and Collier. Germany 1919-45."


Texto retirado de: Frente Social-Nacionalista Brasileira

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Quem ou o que é um ‘’Nacional-Bolchevique’’?

Por Peter Wilberg




Um propagandista de um novo Grande Império Russo?

Um Leninista dogmático ou um cultuador de Stalin?
Um hitlerista ‘’Nacional-socialista’’ ou simplesmente nazista?
Um ateísta ou materialista?



A resposta é não, não, não, não e mais uma vez não!

Um verdadeiro nacional-bolchevique é qualquer um que acredita que todas as nações-grandes ou pequenas deveriam ser governadas diretamente por aqueles e para aqueles que fazem a ’maioria’ (Que é o sentido literal da palavra russa ‘Bolchevique’) e não serem governados por uma minuscula minoria de déspotas estatais, parlamentares fantoches ou banqueiros corruptos e burocratas, que apenas servem o Império do Dinheiro do Sistema Financeiro Capitalista Internacional.

O papel do Bolchevismo em cada nação, hoje é trabalhar para os interesses da maioria (Bolcheviques), por exemplo, os 99% e em particular, libertar essa maioria da servidão do sistema global atual de bancos.

Isso clama pela criação de novos tipos de ‘’Bancos Populares’’, tanto comunal quanto Nacional, providenciando dinheiro livre de juros que compense as necessidades da maioria das pessoas comuns e não as necessidades de 1% de banqueiros super-ricos.

Bancos comerciais privados podem e criam ‘’dinheiro do nada’’ a cada segundo apenas fazendo com que o dinheiro virtual entre nas contas de mutuários. Dinheiro que conta como dinheiro deles e assim fazem com que eles tenham prodigiosos lucros através do comercio de especulação.

Eles constituem um Império de dinheiro que governa as politicas de todas as nações, no qual todos os impérios políticos não são nada mais do que um instrumento, e que seu único deus é o deus do dinheiro.

Se bancos privados podem criar dinheiro virtual, os Bancos Populares também poderiam, porém, a principal diferença é que o dinheiro criado por esses bancos iria pertencer ao povo e a comunidade, e assim os governos poderiam gastar dinheiro nos interesses do povo(a maioria) e não para o lucro privado de poucos.





sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Nacional-Bolchevismo ou Nada

por Aleksandr Dugin


Ou Nós - Ou Nada

É possível dividir o bolchevismo enquanto fenômeno histórico em duas partes. Por um lado, o campo doutrinário das várias visões e teorias socialistas e comunistas pré-marxistas existiram como seus paralelos e continuaram sua existência enquanto motivos intelectuais após o marxismo ter sido forçado à ideologia final. Essa primeira fase pode ser chamada de "o projeto bolchevique". A segunda fase é a encarnação desse projeto na realidade histórica concreta na forma da social-democracia russa, posteriormente do partido comunista, e, na fase final, a história do Estado soviético e do partido governante. A primeira parte é indisputavelmente mais ampla do que a segunda e, como qualquer plano, suplanta a segunda. Mas nós não podemos compreender uma sem a outra. A realização não faz sentido, se nós não conhecemos o plano, e um plano sem realização é mera abstração, e suas possíveis realizações podem ir para melhor ou pior em várias circunstâncias.

O nacional-socialismo e o fascismo apresentam um cenário similar. Por um lado nós temos um dogma teórico, uma filosofia, visões econômicas e históricas, todas unificadas por uma perspectiva comum ("o projeto fascista") - por outro lado, as práticas de partidos históricos (nazi e fascista), bem como o organismo estatal da Itália de Mussolini e da Alemanha de Hitler. Porém, há uma diferença básica: o "projeto fascista" da Alemanha e da Itália era muito mais distante de sua encarnação do que o "projeto bolchevique" em relação à realidade soviética.

É bastante sabido, que os partidos e regimes históricos bolcheviques e fascistas se opuseram uns aos outros, e isso resultou em lutas sangrentas, a maior das quais foi a segunda guerra mundial, também conhecida como grande guerra patriótica. Mas essa hostilidade jamais foi absoluta e houve alguns exemplos de fascistas e bolcheviques se unindo mesmo no nível externo, puramente político: o Estado soviético reconheceu de bom grado a ordem fascista na Itália; nacionalistas alemães juntaram forças durante o Caso Schlageter, anunciado por Radek; e finalmente o pacto Molotov-Ribbentrop.

Porém ambos estes projetos possuíam muito mais em comum. Se nós olharmos para o bolchevismo como uma ideologia que inclui o marxismo, mas cruza suas fronteiras (e assim era - afinal, a idéia leninista de "construir o comunismo em um único país" é contrária a Marx), e aplicarmos o mesmo método ao fascismo e ao nazismo (especialmente focando nos ideólogos que estabeleceram as bases para o poder nazista, mas permanecerem em oposição ao regime que eles viam como uma caricatura das próprias perspectivas), nós ficamos obrigados a notar que estes dois projetos tem muito em comum. Na verdade, eles tem tanto em comum que teoricamente seria possível sugerir a existência de uma metaideologia que seria comum a ambos projetos.

Essa única metaideologia que se situa não apenas para além da concretização política do bolchevismo e do fasismo, mas também de suas ideologias políticas, é o Nacional-Bolchevismo em sua essência absoluta. Essa metaideologia jamais foi reconhecida antes por ninguém em sua totalidade. Apenas as mentes mais profundas de ambos campos advinharam intuitivamente que ela existe, tentando expressas essas visões ainda que remotamente.

O Nacional-Bolchevismo não representa as vias pragmáticas dos bolcheviques e dos nacionalistas europeus, condicionadas pela Realpolitik. Nem significa os aspectos idênticos de ambos "projetos". Ele é algo mais profundo que somente poderia aparecer após a queda da encarnação histórica de uma das ideologias - a União Soviética. (A encarnação do projeto fascista caiu há 50 anos).

Esses são os elementos básicos dessa metaideologia:

1 - Consciência escatológica, entendimento claro do fato de que a civilização está finalmente se aproximando de seu fim. Isso nos leva à idéia de restauração escatológica. Há também um esforço para realizar essa Restauração da Idade de Ouro por meios políticos;

2 - A idéia de inadequação das instituições religiosas existentes com objetivos escatológicos - o anti-radicalismo e farisaísmo das religiões tradicionais ocidentais. O espírito de reforma ou "nova espiritualidade" (misticismo, gnosticismo, paganismo);

3 - Ódio pelo mundo moderno, pela civilização ocidental, com suas raízes no espírito do Iluminismo. Identificação do capitalismo imperialista cosmopolita com o mal global extremo. Pathos anti-burguês;

4 - Interesse pelo Oriente e desagrado em relação ao Ocidente. Orientação geopolítica em direção à Eurásia;

5 - Ascetismo espartano (prussiano). Pathos do Trabalho e do Trabalhador. A idéia básica da origem espiritual primária entre o povo, entre os níveis mais baixos que tem estado a salvo da devassidão dos últimos poucos séculos, em comparação com a elite degenerada dos velhos regimes. O princípio de "nova aristocracia", emergindo a partir das massas do povo;

6 - Compreender o povo e a sociedade como um coletivo fraternal orgânico, baseado na solidariedade moral e espiritual. Negação radical do individualismo, do consumismo e da exploração. Esforço de levar todos os povos ao estado da "Idade de Ouro";

7 - Desagrado em relação às tradições culturais, religiosas e econômicas de origem semítica (judaísmo, islã), opondo a elas as tradições indo-europeias, já que a classe social dos "comerciantes" (com sua mentalidade) não existia enquanto tal;

8 - Prontidão para se sacrificar por esse ideal pelo que ele vale. Ódio pela mediocridade e pelo pequeno-burguesismo. Claro espírito revolucionário.

Todos os elementos previamente enumerados podem ser encontrados em qualquer dogma concreto (fascista ou bolchevique). Eles podem variar segundo ideologia ou autor, e podem até mesmo aparecer junto com outras idéias que podem contradizer outros pontos.

Os nacional-bolcheviques históricos (Niekisch, Ustryalov, Tierieard) intuitivamente se aproximaram desse complexo, mas até mesmo eles se desviaram do caminho: Niekisch viu um sentido positivo na tecnologia e no progresso, Ustryalov flertou com o NEP e desconhecia o sentido da Alemanha para a Rússia, Tierieard negou o esoterismo e a religião, permanecendo um materialista pragmático.

O nacional-bolchevismo é de longe o fenômeno mais interessante do século XX. Ele adotou tudo que nos fascina no bolchevismo ou no fascismo. O que quer que tenha levado essas ideologias a um fim, contradiz o espírito dessa doutrina virtual.

O nacional-bolchevismo nos ajuda a compreender em que os regimes anti-liberais de nosso século erraram e por que eles estavam fadados a falhar. Essa análise é leal ao passado, quando chega ao nosso tempo, em que a "nova" direita e a "nova" esquerda são pouco mais do que paródias do que mesmo em seu próprio tempo eram meras paródias do nacional-bolchevismo virtual.

A ideologia nacional-bolchevique está livre de todos os crimes do passado. Os nacional-bolcheviques históricos culparam os nazistas e comunistas de perverter as teorias, e se tornarem assim vítimas do Moloch totalitário. Como a doutrina está assumindo forma somente agora, mesmo este argumento não pode ser o mais decisivo.

O nacional-bolchevismo é aquilo que jamais foi. Ele jamais foi posto em prática, e nem mesmo em teoria. O nacional-bolchevismo está por vir. Por vir, na medida em que essa doutrina será um santuário ideológico e metafísico para aqueles que negam o mundo moderno, o sistema do capitalismo liberal que se tornou a única base da sociedade moderna. A oposição durará para sempre. As velhas ideologias anti-burguesas já demonstraram suas limitações. Erros teóricos mais cedo ou mais tarde resultaram em uma queda histórica. Quem não entende isso, não possui lugar na história.

A única alternativa para o mundo moderno, esse império do anticristo "liberal", é o nacional-bolchevismo.

Ou isso, ou nada. Nenhum compromisso mudará as coisas. Se o sistema sobreviveu ao orgulhoso Reich e à grande União Soviética (destruindo as monarquias tradicionais e impérios antes desses dois), ele pode lidar sem problemas com partidos políticos e extremistas armados.

A questão é que o nacional-bolchevismo possui sua própria linha espiritual, sobre a qual falar agora seria ainda extemporâneo. Essa é uma alternativa secreta que se posicionará contra o "segredo da ilegalidade" durante os tempos finais. Sem essa força, os experimentos bolcheviques e fascistas foram impotentes. Apenas após uma certa distorção dos instrumentos da política essa força abandonou os já citados movimentos, abandonando-os para que o destino lidasse com eles em face do "Mestre do Universo", representando claramente a sociedade liberal. Há sinais que nos dizem que essa força assumiu recentemente uma nova forma (final) que realizará sua natureza.

Eu creio que alguns talvez já advinhem sobre o que eu estou falando.

Fonte: Legio Victrix

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Nacional Bolchevismo - Raízes, Essência e Relevância Contemporânea

por Peter Wilberg



Esse ensaio busca fornecer um novo foco político-econômico e uma nova fundação filosófico-espiritual pela qual redefinir o nacional bolchevismo - como nacional marxismo e nacional comunismo, como anticapitalista, antifascista, antirracista, antisionista - e acima de tudo dirigido contra a dominação de todas as nações pelo sistema bancário e monetário internacionais e suas marionetes políticas.

O nacional bolchevismo se opõe tanto às ideologias pseudo-nacionalistas e racistas de muitos partidos de ultra-direita e às ideologias pseudo-marxistas do socialismo "internacional" propagadas pelos partidos trotskistas de ultra-esquerda.

Em contraste ao nacionalismo racista e ao internacionalismo socialista ele reconhece que desde a queda da União Soviética e a desregulação global do sistema bancário, a luta de classes se tornou essencialmente uma luta nacional de todos os povos contra o poder dos bancos e a dominação global do capital financeiro internacional e seus políticos marionetes em diferentes países. A escravidão assalariada corporativa é agora composta e agravada pela escravidão da dívida - a rendição da soberania nacional através do "débito soberano" imposto às instituições feudalistas do capital financeiro internacional - o Banco da Reserva Federal dos EUA, o Banco Central Europeu, o FMI, a OMC, o Banco Mundial e o Banco de Compensações Internacionais na Basiléia. Tudo isso é justificado por políticos e pela imprensa através de uma reverência quase religiosa frente a "estabilidade" do que é vagamente chamado de "mercados financeiros".

O nacional bolchevismo reconhece que vivemos em uma era caracterizada pela financialização global total do capitalismo, permitindo ao "capitalismo monetário" internacional (Marx) se tornar totalmente parasitário sobre o capitalismo industrial. Isso está levando à ruína de economias nacionais inteiras (tais como a da Grécia, Espanha e Itália) em uma escala nunca vista desde as dívidas impostas sobre a Alemanha pelo Tratado de Verselhes. Porém economistas burgueses e a mídia capitalista continuam a propagar a "Grande Mentira" de uma "crise financeira global" - que em essência não é nada além de uma crise dos próprios bancos privados internacionais. Esses bancos vampiros estão agora recebendo trilhões de euros dos bancos centrais europeus para resgatá-los de suas crises - isso mesmo um resultado inevitável de sua ganância de acumular dinheiro puramente como dívida e juros. O resultado é que os povos da Europa e dos EUA estão agora sendo lançados na pobreza, no desemprego e na falta de moradia em escala sem precedentes através do "fascismo fiscal" e do "terrorismo de austeridade" internacionalmente imposto.

Ninguém porém - mesmo na esquerda socialista ou na direita nacionalista - ainda ousa sugerir a única "solução" real para essa "crise financeira global" - nomeadamente a criação de Bancos Nacionais do Povo totalmente estatais, cada um dos quais é livre para afirmar o direito soberano de todas as nações. Esse é o direito de emitir seu próprio dinheiro livre de juros sem ter que pegar emprestado de bancos privados e internacionais - um direito há muito rendido pelos governos ao sistema bancário privado internacional.

Ainda que apoiando os esforços educacionais de movimentos por "reforma monetária" radical tais como "Dinheiro Positivo" e os movimentos por Reforma Monetária e Sistema Bancário Público nos EUA, o Partido Nacional do Povo rejeita sua pressuposição essencialmente ingênua de que o direito das nações de emitirem sua própria moeda soberana e livre de dívidas pode ser alcançado simplesmente pela persuasão racional dirigida aos políticos parlamentares tanto da esquerda como da direita - assim ignorando o conflito fundamental de interesses entre os povos proletários de todas as nações e os instrumentos e beneficiários do capital financeiro internacional. A verdadeira democracia nacional não é a falsa democracia parlamentar, mas a democracia econômica - a democratização do local de trabalho e das corporações industriais. Verdadeira democracia internacional significa desafiar as ameaças e a ditadura indireta dos mercados financeiros. Nenhuma dessas formas de democracia pode ser alcançada por qualquer coisa além de uma "ditadura do proletariado" nacional, ou seja, "nacional socialismo" ou "nacional bolchevismo" no sentido literal e marxista desses termos - livre das distorções do antissemitismo, racismo e etnicismo - todas as quais apenas submetem as pessoas de todas as nações ao truque do "dividir para conquistar".

Pois o fato permanece que apesar de seus crimes genocidas e ideologicamente deturpados contra judeus, ciganos, comunistas e socialistas, uma ditadura nacional socialista - seja na forma do bolchevismo ou do nazismo, foi uma precondição necessária para desafiar a ditadura invisível dos banqueiros e financistas internacionais através da emissão de um tipo de moeda soberana - os elementos genuinamente "nacionais" e "socialistas" do assim chamado "nacional socialismo" combinados. O sucesso econômico dessa ditadura - apesar da retribuição massiva que ela trouxe sob a forma de boicotes comerciais ao redor do mundo - é agora reconhecido por economistas por todo o mundo que de outra forma não possuem qualquer tipo de simpatia pelo hitlerismo:

"Através de uma política monetária independente de crédito soberano e um programa de pleno emprego através de obras públicas, o Terceiro Reich foi capaz de transformar uma Alemanha falida, desprovida de colônias ultramarinas, na economia mais forte da Europa no espaço de quatro anos, mesmo antes que os gastos com armamentos começassem". -Henry C.K. Liu, Asia Times (24 de maio de 2005).

"A Alemanha emitiu moeda livre de dívida e juros de 1935 em diante, o que explica a assombrosa emergência da Alemanha da depressão ao grau de potência mundial em cinco anos. O governo alemão financiou todas as suas operações de 1935 a 1945 sem ouro, e sem dívida". - Sheldon Emry, Billions for the Bankers, Debts for the People

"...os nacional socialistas, que chegaram ao poder em 1933, atrapalharam os planos do cartel bancário internacional através da emissão da própria moeda. Nisso eles seguiram o mesmo rumo que Abraham Lincoln, que financiou a Guerra Civil Americana com papel-moeda emitido pelo governo sob o nome de 'Greenbacks'. Hitler começou seu programa nacional de crédito arquitetando um plano de obras públicas. Projetos marcados para financiamento incluíam controle de enchentes, reparo de prédios públicos e residências privadas, e construção de novos prédios, estradas, pontes, canais e portos. Um bilhão de notas não-inflacionárias, chamadas de Certificados do Tesouro, foram então emitidas contra esse custo. Milhões de pessoas focam colocadas para trabalhar nesses projetos, e os trabalhadores foram pagos com Certificados do Tesouro. Essa moeda emitida pelo governo não era lastreado por outro, mas era lastreado por algo de real valor. Era essencialmente um recibo por trabalho e materiais entregues ao governo. Os trabalhadores então gastaram os Certificados em outros bens e serviços, criando mais empregos para mais pessoas. Desse modo o povo alemão se livrou da dívida esmagadora imposta sobre eles pelos banqueiros internacionais. Dentro de dois anos, o problema de desemprego havia sido resolvido e o país estava novamente em pé. Ele tinha uma moeda estável e sólida, nenhuma dívida, e nenhuma inflação, em uma época em que milhões de pessoas nos EUA e em outros países ocidentais estavam ainda desempregadas e dependendo de auxílio do governo. Em cinco anos, a Alemanha deixou de ser a nação mais pobre na Europa para se tornar a mais rica. A Alemanha até mesmo conseguiu restaurar o comércio exterior, ainda que lhe tivesse sido negado crédito e haja se deparado com um boicote econômico no exterior. Ela conseguiu isso pelo uso de um sistema de escambo: equipamentos e commodities eram trocadas diretamente com outros países, desviando assim dos bancos internacionais. Esse sistema de troca direta ocorreu sem dívida e sem déficit comercial. Ainda que Hitler tenha justamente se tornado infame nos livros de história, ele era bastante popular com o povo alemão, pelo menos por um tempo. Stephen Zarlenga sugere em A Ciência Perdida do Dinheiro que isso se deu porque ele temporariamente resgatou a Alemanha da teoria econômica inglesa - a teoria de que o dinheiro deve ser emprestado contra as reservas de um cartel bancário privado ao invés de emitido diretamente pelo governo". - Ellen Brown, Como uma Alemanha falida resolveu seus problemas de infraestrutura.



Os comunistas alemães obviamente, teriam ido ainda mais longe que os nacional socialistas, prometendo em seu manifesto que uma vez no poder:

"...nós deteremos impiedosamente as maquinações dos magnatas banqueiros que impõem sua vontade sobre nossa terra hoje. Nós implementaremos a nacionalização proletária dos bancos e anularemos todas as dívidas para com capitalistas alemães e estrangeiros".

Nos anos do pós-guerra, foi apenas através de seus "Landesbanks" públicos (que desempenharam um papel vital no "Milagre Econômico" da Alemanha) que o monopólio de bancos privados gananciosos sobre as reservas de moeda e crédito do país foi evitado por várias décadas. É por isso que não é surpresa que desde a década de 90 o Deutsche Bank AG privado, junto com o FMI e a Comissão Europeia põem uma enorme pressão sobre o governo alemão para privatizar esses bancos públicos - que foram fundados no século XVIII como instituições não-lucrativas para oferecer crédito a juros baixos para indivíduos e pequenas e médias empresas. O resultado dessa pressão foi que em 2001 a Comissão Europeia conseguiu remover as garantias públicas de crédito dos Landesbanks - de modo a empurrar sua fatia incomumente elevada do mercado do sistema bancário na Alemanha nas mãos dos grandes bancos privados e transformá-los em instrumentos da negociação especulativa desregulada.

Sobre o termo "Nacional Bolchevismo"

Ainda que o termo "nacional bolchevismo" não fosse, como na Rússia hoje, o nome de qualquer partido ou grupo organizado na Alemanha, é na Alemanha que ele teve suas raízes - os próprios termos "nacional comunismo" e "nacional bolchevismo" tendo sido pela primeira vez cunhados pelos comunistas alemães Heinrich Laufenberg e Fritz Wolffheim (este último sendo judeu por nascimento) ao fim da Primeira Guerra Mundial. O que definia sua posição era um apelo aos conselhos de trabalhadores e soldados alemães, agora livres dos ditados do Kaiser e seus generais, para que rejeitassem o Tratado de Versalhes e ao invés continuassem a guerra contra a Entente Anglo-Francesa - por dessa vez como uma guerra nacional revolucionária - conduzida em aliança com a Rússia Soviética contra o capitalismo financeiro internacional.

Ainda que seu apelo a Lênin para que seguisse essa linha fosse rejeitado, foi seu slogan que eles usaram para definir o "nacional bolchevismo": "Tornar a questão do povo uma questão da nação; então a questão da nação se tornará a questão do povo!".

"Laufenberg e Wolffheim foram expulsos da KPD após eles terem tentado resistir à liderança de Wilhelm Pieck. Radek, após demonstrar entusiasmo inicial, logo também denunciou o 'nacional bolchevismo' de Laufenberg veementemente. Laufenberg seguiu para se tornar um membro fundador do Partido Comunista dos Trabalhadores da Alemanha (KAPD), unindo-se a Wolffheim na conferência de Heidelberg estabelecendo o partido. Por volta de 1920, porém, ele havia sido expulso do partido, com seu nacional bolchevismo como a razão oficial para sua partida. Laufenberg foi lamentado como um pioneiro do nacional bolchevismo por Ernst Niekisch que escreveu que 'em 1919 Laufenberg já pensava em termos de continente'". - Karl Otto Paetel

"Laufenberg...que nos tempos de pré-guerra já havia feito seu nome como historiador do movimento proletário de Hamburg, enojado pelo sectarismo do proletariado e pela luta impotente de todos contra todos enquanto a nação sofria de modo indizível sob a opressão das potências vitoriosas, demandou, junto a seu amigo Wolffheim, a construção de uma organização popular livre e coesa para derrubar o capitalismo financeiro internacional. Eles buscaram conquistar aliados de todas as camaradas entre o povo amante da liberdade, conspirando também com oficiais, porque somente a unidade de soldados e trabalhadores poderia libertar a nação. Os partidos oficiais difamaram como 'nacional bolcheviques'..." - Berliner Volkszeitung

"Nacionalismo Social Revolucionário" versus "Nacional Socialismo"

A derrota do "nacional comunismo" de Laufenberg e Wolffheim não foi de modo algum o fim da história em relação à história do nacional bolchevismo na Alemanha, ou seja, o princípio da união de facções tanto da Direita como da Esquerda, incluindo membros dissidentes tanto dos partidos nazista e comunista. Em 1930, um novo passo nessa direção foi iniciado sob o estandarte de um novo "nacionalismo social revolucionário" - dessa vez das associações da direita nacionalista e da juventude nacionalista. Daí a seguinte declaração de imprensa do "Die Kommenden" ("Os que estão por vir") um semanário da Associação da Juventude Nacional Revolucionária [Bündisch-Nationalrevolutionären Jugend].

"No dia da Ascenção em 1930, o que por muito tempo havia sido um grupo frouxamente conectado de jovens nacional revolucionários que viam o socialismo como a essência do verdadeiro nacionalismo foram convocados de diferentes partes do país para formarem um 'grupo nacionalista socialista revolucionário' ["Gruppe social revolutionärer Nationalisten" ou GSRN]. O grupo não deseja formar uma nova organização, mas criar um guarda-chuva abarcando todos os jovens com uma visão-de-mundo similar de diversos agrupamentos e associações nacionalistas - incluindo tanto nacional socialistas como pessoas da 'esquerda' - sob o slogan de 'Nação e Socialismo' e sua realização na forma de um estado baseado em conselhos populares".

O objetivo do Grupo era não só construir uma "Frente Anticapitalista da Juventude de Direita e Esquerda" mas também uma antifascista - daí o uso do termo "nacionalismo socialista" ao invés de "nacional socialismo". E como seu fundador - Karl Otto Paetel - aponta, o fato de que ela incluía membros oficiais do Partido Nacional Socialista de Hitler era para que o partido nazista pudesse ele próprio ser infiltrado e sua liderança controlada, e seu programa transformado em um autenticamente socialista e livre de elementos fascistas. De fato um novo e mais radicalmente socialista manifesto para o partido nacional socialista foi distribuído na Conferência do Partido em Nuremberg. Este concluía com as seguintes palavras:

"Já que o controle total da indústria alemã se encontra hoje nas mãos de órgãos do capitalismo financeiro internacional, a revolução nacional é dirigida incondicionalmente contra o capitalismo financeiro internacional. Como resultado, qualquer revolução alemã realizada com plenitude imediatamente causará o uso de todos os poderes e meios pela América e suas alianças de países contra o estado proletário e campesino alemão. A primeira tarefa da política externa nacional socialista é portanto a organização de uma defesa revolucionária contra as potências imperialistas, unidade com a União Soviética e apoio para movimentos revolucionários em todos os países do mundo que se opõe ao capital financeiro internacional".



Quando, em 1931, uma circular foi emitida a um certo número de indivíduos, partidos e associações nacionalistas aparentemente "de direita" na Alemanha perguntando se eles apoiariam uma guerra imperialista contra a União Soviética, a resposta foi majoritariamente um sonoro "Não!". Apenas um porta-voz nazista respondeu ambiguamente - dizendo que não se podia imaginar seriamente qualquer país europeu atacando a Rússia. Outro grupo nazista disse estar "ocupado demais com tarefas organizacionais urgentes" para responder a pergunta. E como sabemos em retrospectiva, Hitler já estava planejando uma guerra contra a Rússia quando, após chegar ao poder, ele assinou o pacto nazi-soviético.

No mesmo dia que Hitler foi nomeado Chanceler - 30 de janeiro de 1933 - o primeiro "Manifesto Nacional Bolchevique" foi lançado na Alemanha por Karl Otto Paetel - do qual apenas algumas cópias foram parar nas mãos de leitores interessantes antes que a maioria fosse confiscada. Os nacionalistas social revolucionários logo passaram para a clandestinidade, como o fez o Partido Comunista Alemão - com o qual o próprio Paetel insistia ser vital formar uma aliança. Uma vez no poder Hitler de fato ofereceu um modelo para combater o poder do capitalismo financeiro internacional - mas somente se aliando também com os capitães do capitalismo industrial alemão e efetivamente estabelecendo um estado fascista e "nacional capitalista" no lugar de um estado verdadeiramente "nacional socialista".

Nacional Bolchevismo, Nacional Socialismo e "Strasserismo"

Como Karl Otto Paetel aponta, o termo "nacional socialismo" não foi inventado por Hitler e só alcançou notoriedade por sua incorporação na designação oficial do partido que ele veio a liderar, ou seja, o "Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães". Até que esse partido tivesse alcançado o status de um movimento de massas e organização política de sucesso, termos como "socialismo alemão", "nacionalismo socialista", "nacional comunismo" - e "nacional socialismo" - eram todos símbolos de um reconhecimento geral de que o sofrimento do povo alemão e seus interesses enquanto nação não podiam ser realizados exceto sobre uma base socialista anti-imperialista. Na verdade, porém, o NSDAP aceitou em suas fileiras "monarquistas e republicanos, cristãos e anti-cristãos, revolucionários sociais e reacionários sociais...grupos que se sentiam eles próprios como nacionalistas de direita e como socialistas de esquerda...". Porém quanto mais Hitler controlava o partido mais ele parecia se afastar de uma plataforma plenamente socialista - não só pela singularização do "marxismo" como um de seus principais inimigos. A ala esquerdista do partido, perturbada por essa tendência, eventualmente encontrou um representante em Otto Strasser. Persuadido a se unir ao partido em 1925 por seu irmão Gregor Strasser - que eventualmente se tornaria uma vítima da "Noite dos Punhais Longos" - Otto Strasser anunciou em 4 de julho de 1930 que "os socialistas estão abandonando o NSDAP".

Seguido por alguns punhados de desertores, ele formou uma "Liga de Combate Nacional Socialista Revolucionária" com um novo símbolo (martelo e espada), uma nova saudação (Viva a Alemanha!), um programa que incluía a nacionalização dos bancos, a crença em uma aliança com os bolcheviques na União Soviética e também apoio para as lutas anti-imperialistas dos povos orientais - por exemplo China e Índia. Ele também cunhou o termo "Frente Negra" como termo guarda-chuva de modo a sugerir a existência de uma "Ordem" secreta de números bem maiores englobando agrupamentos nacional revolucionários dissidentes e membros ainda ativos das SA e do NSDAP.

"Segundo sua essência, nós compreendemos o nacional socialismo como igualmente hostil à burguesia capitalista e ao marxismo internacionalista, e vemos sua tarefa como a superação de ambos, não obstante o fato de que no marxismo o que em essência é um sentimento adequado pelo socialismo está ligado aos falsos ensinamentos do materialismo liberal e do internacionalismo, e que na burguesia o que em essência é um sentimento adequado pelo nacionalismo está ligado aos falsos ensinamentos do racionalismo liberal e do capitalismo... Nós portanto não vimos e não estamos vendo diferença essencial em nossa oposição ao marxismo e à burguesia, na medida em que o liberalismo operando em ambos os torna igualmente nossos inimigos. Por essa razão nós percebemos o slogan cada vez mais unilateral da liderança do NSDAP 'contra o marxismo' com uma meia-verdade, e nos preocupamos cada vez mais com que por trás disso existisse uma simpatia pela burguesia, que com os mesmos slogans, persegue seus próprios interesses capitalistas com os quais nós nunca tivemos e ainda não temos nada em comum".

A ideia do marxismo como tendo tão somente um "sentimento" adequado pelo socialismo - ao invés de ser a crítica mais profunda, incisiva, compreensiva e radical do capitalismo já articulada - e assim a fundação mais sólida para o "socialismo" - tanto curiosa como evidentemente questionável, junto com sua identificação com o "materialismo liberal" (?) e o "internacionalismo".

Pois ao mesmo tempo que Strasser estava escrevendo, Stálin, sob o estandarte do marxismo leninista, já havia, em oposição a Trótski, consolidado o conceito de "nacional socialismo" através do princípio de construir e defender primeiramente o "socialismo em um só país".

A incompreensão básica de Strasser em relação ao marxismo e sua aparente falta de consciência em relação a sua interpretação leninista e stalinista o impediram de rascunhar seu próprio programa político-econômico com base em uma fundação socialista marxista ou leninista.

Nós vemos aqui a mesma confusão - ou pura falta de conhecimento e entendimento - tanto de Marx como do marxismo que se encontra nos escritos dos principais mentores econômicos de Hitler, em particular Gottfried Feder, cujos escritos foram dirigidos primariamente contra a usura - capital de empréstimo com juros e o que ele chamava "mamonismo". Assim Feder escreveu:

"É assombroso ver como o mundo intelectual socialista de Marx e Engels...paralisa, como se por comando, diante dos juros do capital prestamista. A sacralidade dos juros é tabu; os juros são sacrossantos..."

Só se faz necessário contrastar essas palavras com as do próprio Marx, que ralhou contra a usura e contra o que Feder chamou de mamonismo - o que o próprio Marx chamou de "o Monoteísmo do Dinheiro".

"A usura centraliza a riqueza monetária," diz Marx. "Ela não altera o modo de produção, mas se conecta a ela como um parasita e a torna miserável. Ela sua seu sangue, mata seus nervos, e compele a reprodução a prosseguir sob condições ainda mais desencorajadoras...o capital usurário não confronta o trabalhador como capital industrial', mas "empobrece esse modo de produção, paralisa as forças produtivas ao invés de as desenvolver".

"Sob a forma de juros a totalidade do excedente sobre os meios necessários de subsistência (a quantidade do que se torna salário depois) dos produtores podem ser aqui devorados pela usura...".

Por outro lado, é verdade dizer que em seu próprio tempo Marx foi incapaz de prever o papel crescentemente "parasitário" que o capitalismo usurário desempenharia em empobrecer as economias nacionais e desviar os lucros do capitalismo industrial para a esfera absolutamente improdutiva da especulação financeira - uma "economia de cassino" totalmente divorciada da economia real e sugando capital excedente tanto da indústria como do proletariado. Hoje esse processo alcançou sua apoteose, uma tornada possível, como seria de esperar de uma perspectiva marxista, por desenvolvimentos tecnológicos nos meios de produção - nesse caso ,porém, os próprios meios de produção de dinheiro - sua digitalização em forma eletrônica. Assim a ênfase de Feder nos efeitos catastróficos do cada vez mais insustentável fardo dos juros colocados pelo capital usurário tanto sobre produtores como consumidores, tanto sobre o capitalismo industrial como sobre o proletariado - resultando também no empobrecimento da classe média - possui uma validade ainda maior hoje do que em sua própria época. E deve ser notado que ele também insistia - como Marx já havia feito no Manifesto Comunista - que o estado assumisse o papel de fornecer dinheiro livre de juros para investimento em indústria, infraestrutura, inovação técnica, cultura, educação e bem-estar social.



"Naz-Bol" versus "Nac-Bol"

Para não se confundir com o Partido Nacional Bolchevique Russo de Eduard Limonov, o que é promovido por ideólogos alemães confusos hoje como "Naz-Bol" - um termo que eles usam bem explicitamente para significar "comuno-nazismo" ou "nazi-bolchevismo" - não tem nada a ver com o verdadeiro bolchevismo nacional ou "Nac-Bol". Isso é demonstrado pelo fato de que todos os principais indivíduos e agrupamentos que poderiam ser descritos como "nacional bolcheviques" na Alemanha do entre-guerras - incluindo o principal heroi desses novos nazi-bolcheviques - Otto Strasser - foram impiedosamente perseguidos quando Hitler chegou ao poder - levando ao exílio desde e ao assassinato de seu irmão, Gregor Strasser. Então novamente, o principal heroi "nacionalista" dos "Naz-Bols" - Ernst Niekisch - foi ele mesmo ativo na resistência clandestina anti-nazista ("Resistência" sendo o título de um de seus livros mais famosos) e após sua prisão em 1937 foi sentenciado a prisão perpétua pela Suprema Corte nazista por "traição literária". Enquanto a Fritz Wolffheim, ele morreu em um campo de concentração nazista - como se deu com muitos outros.

Todas as figuras fundadoras do nacional-bolchevismo, junto com soldados, trabalhadores e jovens que os seguiram, haviam sido inteligentes "andarilhos no limbo" - incapazes de compartilhar tanto das simplificações racistas e pseudo-socialismo dos nazistas (junto a sua brutal supressão imperial dos direitos soberanos de outras nações) ou com o partido comunista (que havia aceito a recomendação de Lênin de aceitar o ruinoso Tratado de Versalhes).

O que tornava o antissemitismo político e racial fanático de Hitler tanto absurdo como irrelevante para o sentido político e econômico válido dos termos "nacional bolchevismo" e "nacional socialismo" é que, como o próprio Marx escreveu em seu ensaio "Sobre a Questão Judaica":

"O dinheiro é o deus ciumento de Israel, em face do qual nenhum outro deus pode existir. O dinheiro degrada todos os deuses do homem - e os transforma em commodities. O dinheiro é o valor auto-estabelecido universal de todas as coisas. Ele, assim, roubou todo o mundo - tanto o mundo dos homens como o da natureza - de seu valor específico...O deus dos judeus assim se tornou secularizado e se tornou o deus do mundo".

"O judeu se emancipou de um modo judaico, não apenas porque ele adquiriu poder financeiro, mas também porque, através dele e também à parte dele, o dinheiro se tornou um poder mundial e o espírito prático judaico se tornou o espírito prático das nações cristãs. Os judeus se emanciparam na medida em que os cristãos se tornaram judeus... o capitão Hamilton, por exemplo, reporta:

'O devoto e politicamente livre habitante cristão da Nova Inglaterra...não faz o menor esforço para escapar das serpentes que o esmagam. Mammon é seu ídolo que ele adora não só com seus lábios mas com toda a força de seu corpo e sua mente. Em sua opinião o mundo não é mais que uma Bolsa de Valores, e ele está convicto de que ele não possui outro destino aqui embaixo além de se tornar mais rico que seu vizinho. O comércio ocupou todos os seus pensamentos, ele não possui outra recreação além de trocar objetos. Quando ele viaja ele carrega, por assim dizer, seus bens e seu balcão nas costas e fala apenas de juros e lucros. Se ele perder de vistas seu próprio negócio por um instante é apenas para espiar os negócios de seus competidores'

De fato, na América do Norte, a dominação prática do judaísmo sobre o mundo cristão alcançou como sua expressão normal e nada ambígua que a pregação do próprio evangelho e o ministério cristão se tornassem artigos de comércio, e o comerciante falido negocia no evangelho como o pastor evangélico que enriqueceu participa de acordos comerciais."

Marx então cita Beaumont:

"O homem que você vê na chefia de uma congregação respeitável começou como comerciante; seu negócio tendo falido, ele se tornou pastor. O outro começou como pastor, mas assim que tinha algum dinheiro à disposição abandonou o púlpito para se tornar comerciante. Nos olhos de muitas pessoas, o ministério religioso é verdadeiramente uma carreira empresarial".

Segundo Marx então, a secularização econômica total do judaísmo nas supostamente "cristãs" sociedades capitalistas tornou toda a dimensão racial da judiaria junto com o ritualismo remanescente de judeus religiosos barbados - constantemente caricaturizado na propaganda nazista - um fenômeno completamente marginal e irrelevante. Em contraste, Franz Schauwecker escreveu sobre a "germanidade" como não tendo nada a ver com aparência física ou "ciência" racial, mas como uma crença na realização de um certo "valor espiritual" particular.

"Essa piedade dos alemães habita nos sermões alemães de Eckhart, nas fugas, prelúdios e corais de Bach, nas sonatas de Beethoven, nos feitos de Frederico o Grande e da dinastia Hohenstaufen, no grande sentimento de mundo de Goethe e nos exércitos alemães... O reino dos alemães é o reino de Deus".

Hoje não é o nazismo alemão mas o sionismo nazista - sionazismo - que continua a tradição hitlerista de rejeitar a própria noção de um "judeu alemão" - a base de seu antissemitismo. É o sionazismo que transformou os palestinos em seus próprios "judeus" - elementos "estranhos" e perigosos para a "nação". Isso não é surpreendente. Pois não só o movimento sionista se inspirou no nacional socialismo alemão de variedade hitlerista - ele também encorajou ativamente os nazistas a manterem e até mesmo a ampliarem sua perseguição dos judeus na Alemanha - precisamente para encorajar sua fuga e ocupação da Palestina, levando à expulsão impiedosa dos palestinos de sua própria terra, entre sonhos mal escondidos com e tentativas de genocídio.


Uma Nova Fundação Espiritual e Filosófica para o Nacional-Bolchevismo

O Partido Nacional do Povo não é antissemita ou racista, e não se inspira na história, religiões e identidade do "povo". Ao invés ele é completamente marxista - e ainda assim acrescenta uma dimensão espiritual ao marxismo, pegando a deixa do ensaio de Marx "Sobre a Questão Judaica". Pois é nesse ensaio que Marx reconheceu que a essência do judaísmo em seu tempo não tinha mais a ver com ser religiosamente ou "racialmente" judeu, mas era essencialmente uma religião secular secreta - um "Monoteísmo do Dinheiro" que agora permeia todos os países e culturas capitalistas, de qualquer religião ou etnia.

Assim ainda que tenha sido historicamente verdadeiro que muitos judeus foram forçados a praticar a usura e a se tornarem banqueiros por terem sido banidos de todos os outros ofícios por seus governantes cristãos (que eles próprios eram proibidos por sua religião de praticar a usura) e ainda que muitos banqueiros notórios como os Rothschilds sejam de fato judeus, muitos outros como J.P. Morgan não eram. A realidade ainda mais fundamental é que em princípio o sistema bancário capitalista internacional moderno jamais foi dominado por indivíduos de qualquer religião ou raça - mas ao invés sempre serviu para erradicar ou marginalizar todas as culturas étnicas - incluindo tanto Islã, Cristianismo e até mesmo o próprio Judaísmo religioso ortodoxo. Daí o mote de que o "antissemitismo é o socialismo dos tolos".

Marx não era nem um "materialista" ateu cru nem um cientista "positivista" ou "objetivista". Isso é deixado claro em suasTeses sobre Feuerbach - em que ele critica todas as formas prévias de materialismo por não reconhecer a natureza essencialmente subjetiva da atualidade sensorialmente percebida e da atividade sensorial humana. Porém ainda que não fosse um materialista no sentido convencional, Marx implicitamente reconheceu duas formas de "imaterialismo" - um religioso e o outro econômico e monetário.

O que Marx reconheceu foi que o dinheiro possui suas raízes na natureza aparentemente intangível ou imaterial do "valor de troca" das commodities - em oposição a sua realidade sensual ou "material" e valor de uso como objetos. Quando a fórmula "vender para comprar" de economias de mercado mais simples que Marx denominou Commodity-Dinheiro-Commodity (C-M-C) foi substituída pela fórmula "comprar para vender" de M-C-M (Dinheiro-Commodity-Dinheiro) isso foi refletido no crescimento dos monoteísmos religiosos que viam Deus, como o Dinheiro como possuindo o poder de governar o homem e de criar coisas como commodities materiais a partir do nada.

Primeiro o "espírito" do dinheiro, ou seja, a natureza misteriosamente imaterial do valor de troca das commodities - foi "materializado" na forma das próprias commodities materiais - tais como o ouro e outras moedas materiais. Hoje ele nem ao menos assume a forma de papel mas ao invés a forma verdadeiramente fantasmagórica ou imaterial do mero "dinheiro número", "dinheiro digital" ou "dinheiro virtual" - dinheiro fictício literalmente criado a partir do nada por bancos privados.

A dimensão espiritual do nacional bolchevismo pode ser compreendida como uma forma de "marxismo invertido" - uma que reconhece o Deus do Dinheiro a partir do qual parece que todas as coisas são "criadas" ou "materializadas" como tão somente a imagem-espelho econômica perversa de uma consciência imaterial o "espírito" - uma consciência universal-divina da qual todas as coisas e todos os entes já são uma manifestação e expressão.

Essa filosofia opõe um "Monismo da Consciência" ao que Marx chamou de "Monoteísmo do Dinheiro". Esse monoteísmo é a essência de todas as formas de monoteísmo religioso que postulam um deus supremo criador para o qual a consciência é ela própria uma forma de propriedade privada - um Deus que "possui" ao invés de SER consciência.

Rejeitar os monoteísmos religiosos porém, não implica um retorno ao politeísmo pagão - pois a multiplicidade de deuses adorados em tradições espirituais e religiosos do passado se tornou hoje apenas uma imagem-espelho da multiplicação de marcas de consumo e commodities. De fato tais tradições hoje se tornaram comercializadas como "commodities espirituais" em si mesmas - dirigidas a "consumidores espirituais" em busca de uma identidade espiritual - e ávidos por alcançá-la através de identificações de todos os tipos, sejam étnicas, religiosas, políticas ou nacionais.

Por outro lado, não é menos importante reconhecer que indivíduos, grupos e comunidades de todos os tipos - sejam étnicas, vocacionais, linguísticas ou religiosas, junto com "povos" inteiros, possam de fato partilhar de tendências e potenciais criativos comuns, "humores fundamentais" (Heidegger), "sentimentos valorativos" (Nietzsche) ou "qualidades de consciência" (Wilberg) e que essas podem ser ou afirmadas e refletidas ou desvalorizadas e marginalizadas no estado nacional e sua cultura.

Aí se encontra o perigo porém - pois a rotulação e propagandização comercial e/ou política dessas tendências, qualidades e sentimentos de valor compartilhados podem facilmente se transformar em um instrumento do "Deus Verdadeiro" que efetivamente governa internacionalmente - o Deus do Dinheiro universal que é a "desvalorização de todos os valores".

"O dinheiro é o valor universal auto-estabelecido de todas as coisas. Ele, portanto, roubou o mundo inteiro - tanto o mundo dos homens e da natureza - de seu valor específico". - Karl Marx, Sobre a Questão Judaica

Na busca e consumo de identidades da economia e cultura capitalista global, o Dinheiro é o "Deus Verdadeiro". O Monoteísmo do Dinheiro que governa o mundo hoje porém, não é senão uma imagem-espelho perversa de uma realidade metafísica diferente - uma que só pode se refletir em uma filosofia espiritual que pode ser chamada de "Monismo da Consciência" ou "O Princípio de Consciência".

O Princípio de Consciência

Esse é o reconhecimento de que a natureza última da realidade reside, em princípio, em uma consciência singular ("monística") e universal - uma que não é a propriedade privada de qualquer ser ou seres, mesmo de "Deus" entendido como "Ser Supremo".

Essa consciência não é mero "produto" imaterial de qualquer coisa aparentemente "material" como o corpo humano ou cérebro. Não é uma consciência que é "sua" ou "minha", a propriedade privada de pessoas ou um produto de seus cérebros, mas uma consciência que é transpessoal, universal e a própria essência do divino - tanto abarcando como transcendendo identidades individuais, grupais e nacionais. Todas as coisas e todos os mundos, todos os entes e todos os corpos, todos os egos e identidades são porções individualizadas, expressões ou corporificações dessa consciência divina-universal que É a própria essência do que chamamos "Deus".

Desde essa perspectiva filosófico-espiritual, "comunismo" não é "coletivismo" mas uma sociedade comunista não-estatal em que, em acordo com as palavras o próprio Manifesto Comunista: "o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos".

Essa afirmação de Marx simplesmente não computa com qualquer forma de "individualismo" liberal ou burguês do tipo que promove identificação com a ganância competitiva do ego individual ou "sujeito". Nem porém, computa com qualquer tentativa de alcançar transcendência espiritual por meio da rendição do ego à identificação com uma vontade coletiva ou "sujeito" - seja personificado no estado ou no "super-ego" de um Líder.

O egoísmo burguês é "o livre desenvolvimento de cada um" não são a mesma coisa - de fato elas são o exato oposto uma da outra. Pois a estrada da verdadeira liberdade e realização individuais não é ao longo do poder do dinheiro mas pelo poder inato e pelo potencial de consciência ou subjetividade enquanto tais - compreendias não como qualquer forma de "ego" ou "sujeito", mas como "espírito" e "alma".

O novo princípio anímico-espiritual do nacional bolchevismo - O Princípio de Consciência - não afirma nem o individualismo egoísta, nem o coletivismo; ele não é nem adoração de um ego individual ou sujeito (humano ou divino) nem subserviência a um "sujeito" coletivo.

Ao invés é o reconhecimento de que cada indivíduo é uma incorporação individualizada de uma subjetividade universal ou consciência - uma "alma do mundo" ou "alma universal" onipresente.

Ainda assim não há somente três mais quatro dimensões de consciência ou "subjetividade" - a individual, a coletiva, a universal - e a intersubjetiva ou dimensão relacional. E é acima de tudo essa quarta dimensão - a maneira na qual indivíduos recebem, afirmam, reconhecem e se relacionam uma com a outra como indivíduos dentro da nação, estado ou coletivo de qualquer tipo que constitui os eixos fundamentais de uma mudança revolucionária, ou seja, se eles o fazem competitivamente e egoisticamente ou de uma maneira que reconhece todos os indivíduos - e todos os povos e culturas - como expressão singular de uma consciência universal ou "espírito" cada qual com sua "alma" única.

O nacional bolchevismo é portanto aquilo que eu chamo de "socialismo com alma" - este sendo o exato oposto do caráter essencialmente desalmado e destruidor de almas do capitalismo, que (como Marx sabia tão bem) transforma relações entre seres humanos em relações entre coisas - commodities - assim esvaziando as relações humanas de toda profundidade anímico-espiritual.

"Espírito" e "alma" são por sua vez nada mais que dimensões externa e interna de consciência. Assim apenas aprendendo a investir cada vez mais consciência em nossas vidas quotidianas, relacionamentos e mundo circundante podemos transformar " acumulação de capital" em uma acumulação de consciência - e as novas percepções a que isso dá origem.

Historicamente porém, o desenvolvimento das relações de propriedade e da sociedade de classe caminhavam junto com a ideia de que "subjetividade" ou a própria consciência eram a propriedade privada de sujeitos individuais e seu "ego" ou "Eu". Porém como pode ser, já que a própria experiência de um si mesmo ou sujeito, mente ou corpo, ego ou "Eu" assume uma consciência desse si mesmo ou sujeito, mente ou corpo, ego ou "Eu". Essa consciência portanto, não pode - em princípio - ser reduzida à propriedade ou produto de qualquer si mesmo ou sujeito, ser ou corpo do qual ele tem consciência. Este é o "Princípio de Consciência" em resumo - uma filosofia que supera a velha identificação da alma com um sujeito ou ego individual ou coletivo - e ao invés reintroduz a noção do divino como uma consciência universal da qual todas as almas são uma porção e expressão.

No pensamento indiano ou asiático, a noção de consciência como algo absoluto e universal - subjetividade sem um sujeito supremo - há muito tem sido reconhecida. Assim o deus indiano Shiva veio a simtolizar essa consciência absoluta e universal ou "espírito", assim como o deus Krishna simbolizava o eu interior ou "alma" de cada indivíduo - algo muito mais rico e multifacetado do que o ego individual ou "sujeito".

Hoje mesmo a filosofia pós-moderna ocidental finalmente foi forçada a alcançar a realidade econômica capitalista e transcender a velha noção cartesiana de que a consciência é a propriedade privada de "sujeitos" individuais. Pois na era da financialização global do capitalismo, se tornou claro que "a mão invisível do mercado" - e os mercados financeiros em particular - não é a mão de qualquer indivíduo, grupo ou estado político mas é o que sujeita todos os indivíduos e nações a sua dominação.

A própria política portanto, não mais possui um centro em personagens ou "sujeitos" políticos ou na vontade de estados nacionais soberanos - por estes são todos sujeitos ao mando impessoal do dinheiro e do capital financeiro. O Dinheiro e o Capital sozinhos e enquanto tais são os únicos "sujeitos" reais ou efetivos na era do capitalismo financeiro - seu "Deus" efetivo e a base do "Monoteísmo do Dinheiro".

O "socialismo" por outro lado, é compreendido dentro do nacional bolchevismo como socialismo com espírito e alma. Isso por sua vez demanda uma nova compreensão do "socialismo científico" (Engels) como uma ciência do espírito e da alma - uma que reconhece uma consciência universal como a realidade subjacente absoluta ou "alma" de todas as coisas e todos os entes, todos os indivíduos e todas as culturas, todos os mundos e universos.

Essa nova ciência não é nem materialista nem idealista no sentido hegeliano, mas é "subjetivista" no sentido absoluto - com base em um "Monismo da Consciência" que reconhece o "espírito" como a dimensão pura ou transcendente de uma consciência absoluta ou universal e "alma" como sua dimensão imanente, interior e individualizada.

Eurasianismo

O reconhecimento de tal consciência universal ou "transcendental" possui sua fonte histórica tanto no pensamento religioso indiano e na "ciência fenomenológica" dos filósofos alemães Edmund Husserl e Martin Heidegger. Daí seu caráter essencialmente indo-germânico, indo-europeu ou "eurasiano".

Daí também meus livros chamados "O que é o Hinduísmo?" e "O Estandarte Vermelho de Rudra" - em que eu afirmo que o abismo entre as filosofias e movimentos políticos religiosos e marxistas na Índia é totalmente desnecessário - baseado em uma falha em compreender a essência comum e revolucionária de ambos na subversão do Monoteísmo do Dinheiro.

Porém agora há nova evidência para mostrar que as próprias tradições religiosas indianas partilham de raízes comuns com uma avançada civilização pré-indo-europeia cobrindo toda a área conhecida como Eurásia. Essa civilização pré-histórica tinha centros não apenas no vale do Indo, mas também na Suméria (cuja língua não era nem indo-europeia nem semítica), no Médio Reino egípcio, em Creta e Micenas, e, como descobertas arqueológicas demonstram, na Rússia - onde em 1987 foi encontrada evidência no sul das Urais - (em Arkaim) de uma avançada civilização "ártica" proto ou pré-eslava mencionada por Platão como Hiperbórea, e partilhando escrita e escrituras similares ao sânscrito e os Vedas.

Essa civilização eurasiana pré-histórica foi semeada e guiada há muito no passado pelo conhecimento interior avançado ou gnose de seus reis-sacerdotes. O renascimento na Rússia de uma cultura e civilização eurasiana futuras - uma que substituirá a atual cultura capitalista global dominante ou "atlantista" dos EUA - foi antecipada pelo teosofista alemão Rudolf Steiner, e é promovida pelo Movimento Internacional Eurasiano. Aqui a palavra "internacional" significa o que ela deve, um "inter-nacionalismo" cooperativo de estados soberanos - não somente os da Europa e Eurásia - ao invés de sua sujeição ao imperialismo financeiro global e ao poder global de um único "superestado" americano. Pois permanece verdadeiro que:

"A América...criou uma 'civilização' que representa uma contradição exata da antiga tradição europeia. Ela introduziu a religião da práxis e da produtividade; ela colocou a busca pelo lucro, por uma grande produção industrial, e por realizações mecânicas, visíveis e quantitativas acima de qualquer outro interesse. Ela gerou uma grandeza desalmada de uma natureza puramente tecnológica e coletiva, carente de qualquer pano-de-fundo de transcendência, luz interior, e espiritualidade verdadeira. A América [construiu uma sociedade em que] o homem se torna mero instrumento de produção e produtividade material dentro de um conglomerado social conformista". - Julius Evola

Central a qualquer conceito eurasiano é uma aliança espiritual e política entre Alemanha e Rússia de um tipo que originalmente formava a base geopolítica de grupos nacional bolcheviques na Alemanha do entreguerras - e isso muito antes da criação de um "Partido Nacional Bolchevique" e "Movimento Eurasiano" na Rússia pós-soviética.

"Em princípio, a Eurásia e nosso espaço, o coração-continental da Rússia, permanece a área de ensaio para uma nova revolução antiburguesa e antiamericana"..."O novo império eurasiano será construído sobre o princípio fundamental do inimigo comum: a rejeição do atlantismo, o controle estratégico dos EUA, e a recusa em permitir que valores liberais nos dominem. Esse impulso civilizacional comum será a base de uma união política e estratégica". - Aleksandr Dugin

O que se demanda aqui não é um mero conceito geopolítico de um "Império Eurasiano", mas uma filosofia e teologia "eurasianista", ou seja, uma nova "teosofia" que transcenda totalmente o pensamento "científico" e "iluminista" ocidental, mas sem se identificar seja com o paganismo, com os "velhos crentes" cristãos ortodoxos, com budismo, islã ou interpretações ultrapassadas do Sanata Dharma (hinduísmo).

Uma coisa também deve estar clara: Nacional Bolchevismo não é Putinismo, pois o Putinismo é uma forma corrupta e autoritária de nacional capitalismo - ainda que uma que está agora abrindo espaço cada vez mais para as pressões do capitalismo internacional.

Fonte: Legio Victrix